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  • Foto do escritorRodrigo M. Weinhardt

Gamificação ecológica, o planeta e os eSports


Media’s Choice 2022, Riders Republic Phoenix. Imagem: divulgação.

3ª edição do projeto que valoriza a construção de games ecologicamente direcionados, Green Game Jam reuniu 40 estúdios em 2022


No início deste espaço, em 2019, a primeira publicação destacando ações da indústria esportiva a favor da sustentabilidade foi o movimento Playing For The Planet Alliance. Trata-se de uma iniciativa dos principais produtores de games do planeta atuando em colaboração para aplicar nos jogos eletrônicos uma dinâmica conceitual e, ainda que de forma tácita, conscientizar e integrar temas ambientais na construção, comercialização e na influência desses produtos.



Os objetivos da aliança são reunir a indústria para reduzir sua pegada de carbono e garantir formas confiáveis de medição dela, com estes dados um segundo desejo é definir metas para redução dessa emissão. Além disto, deseja-se inspirar ação ambientais através de ativações verdes nos jogos, compartilhar os resultados das iniciativas em toda a cadeia de games servindo como exemplo para produtores, vendedores, atletas, jogadores e toda a infinidade de pessoas envolvidas. E, por fim, explorar novas estratégias para o futuro em torno de novos jogos e novas abordagens para contar histórias.


E como alcançar este ambicioso caminho? Além de toda a mobilização nos bastidores, em 2022 a aliança promoveu a 3ª edição do Green Game Jam, o evento nasceu dos compromissos da indústria na Cúpula de Ação Climática e serviu para impulsionar o poder dos jogos, fazendo toda a cadeia de produção e consumo de games refletir sobre aquecimento global, carbono, energia e tantos outros assuntos ambientais.


Nesta edição do GGJ, 40 estúdios participaram abordando temas como alimentos, florestas e o futuro do planeta e oito jogos foram escolhidos em diferentes categorias: Hay Day (Supercell), Riders Republic Phoenix (Ubisoft), Ilha de Carbono (Tencent), Imagine Earth (Serious Brother), Hay Day (Supercell), June's Journey (Wooga), Terragenesis (Tilting Point) e Blue Mammoth's Brawlhalla (Ubisoft).


A análise foi feita avaliando os roteiros, a abordagem de temas sensíveis como uso do solo, sistemas alimentares sustentáveis e nossas escolhas e os impactos delas. Por exemplo, ao comentar a “Escolha da Mídia”, o game de bike Riders Republic Phoenix, da Ubisoft, destacou-se a competência da desenvolvedora em mostrar o poder único dos jogos para educar, envolver e capacitar os jogadores a desempenhar o seu papel na proteção do meio-ambiente.


De acordo com o time da Playing For The Planet, há um impacto positivo gerado no movimento Green Game Jam que deve ser comemorado. De acordo com a divulgação, são mais de 2,75 milhões de acessos ao site ou clicks na chamada para ação. Há outras medidas interessantes, como o plantio de mais de 266.000 arvores no mundo (e no mundo real:)) e foram doados cerca de US$ 800.000 para diferentes instituições de caridade que trabalham com causas ambientais.

Afora estas medidas - sem uma comprovação e/ou uma análise técnica mais promissora.... sem tirar o mérito - a equipe Playing For The Planet destaca que cerca de 60.000 pretensos signatários para a campanha Glowing, Glowing Gone e Play4Forests engrossam a lista a ser compartilhada com os formuladores de políticas na Assembleia da ONU para o Meio Ambiente.


Em 2021, o evento foi aberto a todas as plataformas pela primeira vez. Com uma base coletiva de usuários ativos mensais de mais de 1 bilhão de jogadores, os estúdios compartilharam a importância de conservar e restaurar florestas e oceanos por meio de pontos de contato dentro e fora do jogo. Enquanto em 2020, a aliança, apoiada pela ONU, reuniu alguns dos maiores nomes dos jogos para celular para seu primeiro GGJ verde. O objetivo foi encontrar maneiras inovadoras de educar e capacitar os jogadores sobre as mudanças climáticas por meio de jogos eletrônicos.


O processo de educação ambiental está fundamentado em uma visão complexa e sistêmica das realidades ambientais, concebidas como problemas e potencialidades, visando à compreensão de suas inter-relações e determinações; ao mesmo tempo, considera o papel e as características das instituições e agentes sociais envolvidos, localizados em um tempo e espaço concretos (MEDINA, 2002).

O virtual, e por sua vez os games, apresenta interessantes relações com o meio ambiente, clima e a preservação. Todavia, ainda são relações de causas e efeitos pouco compreendidas levando o senso comum a não colocar o debate a pleno. O Playing For The Planet ganha destaque ao levar o mindset verde ao espaço não físico agregado a milhares e milhares de adeptos da indústria de games e também aos eSports.


Medidas como a do GGJ apresentam realidades ambientais, concebidas como problemas e potencialidades, visando à compreensão de suas inter-relações e determinações; ao mesmo tempo, considera o papel e as características das instituições e agentes sociais envolvidos, localizados em um tempo e espaço concretos. Implementam um envolvimento inconsciente a favor do fortalecimento de uma consciência ecológica promovida pela visibilidade e legitimidade dos movimentos que idealizam crenças e valores levando a um jeito ecológico de ser, a um novo estilo de vida com modos próprios de pensar o mundo e, principalmente, de pensar a si mesmo e as relações com os outros nesse mundo (DE MOURA CARVALHO2017).


Referências

DE MOURA CARVALHO, Isabel Cristina. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. Cortez Editora, 2017.

MEDINA, Naná Mininni. Formação de multiplicadores para educação ambiental. O contrato social da ciência, unindo saberes na educação ambiental. Petrópolis: Vozes, p. 47-70, 2002.

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